DIA DAS MÃES: A MULHER CONTEMPORÂNEA

Quando minha amiga de infância me encomendou um artigo, que falasse sobre os desafios da mulher contemporânea que é mãe e ainda trabalha fora de casa, eu disse que me interessava muito pelo tema e que teria muito a dizer mas que ela teria de ser paciente, pois, não tenho muito tempo! Afinal sou uma mãe autônoma, trabalho como professora e gasto boa parte da minha energia mantendo essa estrutura que deve funcionar de modo coordenado e ininterrupto. Essas demandas envolvem muitas responsabilidades, despesas e claro consomem grande parte do meu.....tempo!

No entanto desde que eu dei essa resposta à ela, as ideias começaram a fervilhar na minha cabeça e eu percebi que era a hora de parar e escrever. E era sobre isso que eu deveria falar...sobre o tempo!

Seria chover no molhado dizer que nós mulheres contemporâneas, milagrosamente, temos dado conta de  múltiplas e complexas funções! Desafiamos a lógica cuidando dos nossos filhos, das nossas casas, pagando contas, indo ao supermercado, resolvendo os problemas no trabalho e de repente vemos que o tempo útil se foi e tudo o que nos resta são momentos para recuperarmos as energias e recomeçar tudo no dia seguinte!

O dia se acaba e temos a sensação de dever cumprido mas a que custo? Toda a energia demandada para cumprir a agenda do dia se foi e nós, eventualmente, sentimos uma certa solidão, uma angustia,  e até uma tristeza. O tempo que se foi não voltará, e nós sabemos disso.

 

Segundo a física, o tempo é uma ilusão, ele não existe de fato! O que existe é a nossa percepção sobre ele. É por isso que as vezes temos a impressão que o tempo passou muito rápido e geralmente sentimos isso quando estamos fazendo algo que nos dá prazer. O contrário também é verdadeiro, o que significa dizer que quando estamos fazendo algo por obrigação pura e simples o tempo parece se arrastar.

Penso então que o desafio de gerir o tempo é inerente à todas as mulheres que vivem suas demandas no dia a dia mas o maior desafio, talvez, não seja gerir o tempo somente mas sim transformar nossa percepção sobre ele. Como fazer isso?

Como fazer com que os segundos se tornem fonte de energia ao invés de energia desperdiçada? Amar cada tarefa executada, buscar as raízes das nossas ações, conectando as atividades com a essência do próprio sentido do ser. Se formos capazes de religar nossos desejos com as atividades que executamos, resgataremos boa parte da energia dispensada e sentiremos que o fluxo do nosso trabalho está sendo direcionado para algo que toda mulher tem prazer de fazer: criar! Sentiremos isso através do processo cíclico onde a energia se renova ao invés de se perder. Somos seres criativos essencialmente, temos uma natureza íntima rica de significados, urge que nos reconectemos com esse sentido profundo, simbólico, que nos nutre. Que está na constituição orgânica de toda mulher! Não podemos mais permitir que nossas atividades sigam vazias de sentido!

 

 

 

Precisamos retornar a nós mesmas sem medo, sem vergonha! Não podemos abandonar o que é capaz de caracterizar nossa história de vida como uma verdadeira obra de arte! Cultivar o artístico nos nossos dias é um processo que demanda criatividade mas pode estar em cada atividade que realizamos, mesmo as que parecem mais simples! Fazer as unhas, arrumar o cabelo, andar na rua e imaginar que está numa passarela! Escrever uma poesia, ler um livro, dar um sorriso, sentir o perfume de uma flor, dar um conselho, ouvir uma história, contemplar as pessoas passando no movimento constante de ir e vir, olhar para o nada, completamente absorta, ouvir um instrumento, dançar na sala sozinha no ritmo da música, mexer na terra, falar sozinha, alimentar um filho, cuidar de um animal, desenhar,sonhar acordada, fazer exercícios, etc. As possibilidades são inúmeras! Onde estivermos envolvidas conosco, sem entretenimento e distrações, num movimento contrário ao entorpecimento dos sentidos, ou seja, aguçando e percebendo a ampliação desses mesmos sentidos, estaremos profundamente no presente. Ali o tempo para e as energias se renovam! São nesses lugares que realizaremos um mergulho profundo e corajoso em nós mesmas, que irá nos alimentar e revigorar!

 

 

 

Esse é um grande desafio e no meu entendimento, o maior deles: dar significado para o tempo e utilizar esse mesmo tempo para recuperar o significado das nossas ações. Dessa forma nunca sentiremos que ele foi em vão! Certamente diminuiremos a sensação de angustia se olharmos para o dia que passou como se ele fosse uma colcha de retalhos coloridos, cheia de pitadas de criatividade, que tecemos com as próprias mãos no intuito amoroso de fazer cada segundo valer a pena! Sem dúvidas eles valerão!

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